Como transferir o magnetismo dos jogos para a Educação


Como transferir o magnetismo dos jogos para a Educação

Untitled Document

Diz aí o nome de três países começando com a letra U... Ah, mais de três, não é difícil, tenta. Eu te dou mais 10 segundos, daí pode continuar lendo o texto.

E aí, quantos você conseguiu? Você colou na internet ou respondeu de cabeça mesmo? E como foram as outras pessoas para quem você perguntou os países que iniciam com U? 

Lá no fim do artigo você mata a curiosidade de saber quais são os países, mas talvez já tenha percebido aonde eu quero chegar: há algo nos jogos que mexem com a gente: eles nos desafiam, nos fascinam, nos motivam. Somos capazes de jogar por horas e horas, dias após dias – e fazemos isso mesmo em jogos bem simples, como Angry Birds e Candy Crush. As perguntas são: O que nos fascina tanto nos jogos? O que nos mantém interessado neles? Por que queremos jogar? E como transferir isso para a educação?

Transferir a lógica dos games para outros setores tem recebido o nome de gamificação. Você pode nunca ter ouvido falar tal palavra, mas ela está cada vez mais em voga. Você, com certeza, ouviu falar do quilômetro de vantagens do Posto Ipiranga, da troca de pontos acumulados no Dotz, Multiplus ou por milhas de seu cartão de crédito, você vê seu Facebook e Linkedin avisando que seu perfil está 75% completo, você gosta de ganhar troféus ao marcar sua presença em lugares no Foursquare, quer ter um cartão plus/black/gold/personalite/premier do seu banco, subir no plano de carreiras de sua empresa...

Esses são alguns dos elementos dos games que estão em nosso cotidiano, alguns há muito tempo. E são os elementos mais triviais dos jogos: pontos, ranking e troféus. Gamificação não é só isso, há muito mais nos jogos que pode ser aplicado no nosso dia a dia e é esse potencial que tem sido descoberto pelas empresas e por outros setores, como a saúde e a educação.

O ser humano é curioso. As crianças são especialmente curiosas. Por que a escola torna chato o saber? Por que aprender não pode ser divertido como nos jogos? Claro que a escola não precisa (nem deve) ser sempre divertida, mas isso não significa que ela tenha de ser tão desinteressante para os alunos – e aqui falo da Física em especial, que é a minha área.

Gamificar é utilizar a mecânica e elementos de jogos para resolver problemas e gerar soluções. Por exemplo, resolva mais atividades e acumule pontos de experiência que serão compartilhados com seus colegas, assim você sai do nível iniciante, para o intermediário, depois para avançado, para Chuck Norris, pode chegar até mestre Jedi! E se tiver um bom desempenho nas atividades de interpretar gráficos, vai ganhar um troféu nessa área. Se for bem em cálculos matemáticos, outro troféu. Mas cuidado que os pontos expiram, é preciso refazer algumas atividades de tempos em tempos para manter o seu nível. 

Lembrou-se de Farmville ou outro jogo da Zynga, empresa que faz um sucesso enorme no Facebook? Há lógicas que tornam os jogos viciantes: aprendizado progressivo, desafios frequentes (e quanto melhor o desempenho, maior o desafio), looping de engajamento e progresso (como passar de fase ao dominar a anterior), feedback rápido, recebimento de prêmios, possibilidade de compartilhar seus resultados e envolver os amigos...

Pode parecer bobo – como foi boba a pergunta sobre os países que abriu o artigo – mas pode ter resultados incríveis (aproveitando: você tentou ou não responder a pergunta? Ficou ou não curioso? Opina nos comentários para termos uma métrica). A gamificação pode ser interessante, estimulante, motivadora, divertida – e educacional. 

Se você dúvida, vou dar a sugestão de alguns aplicativos que usam gamificação para você experimentar:

· Duolingo (https://www.duolingo.com/ – em português) para aprender idiomas (em português).

· Habit RPG (https://habitrpg.com/static/front – em português) ou o Epic Win (http://www.rexbox.co.uk/epicwin/ – em inglês) para cumprir sua lista de tarefas por fazer.

· Zombies, Run! (https://www.zombiesrungame.com/) para fazer atividades físicas.

Ah!, e os países com U são Ucrânia, Uganda, Uruguai e Uzbesquistão.

Alysson Ramos Artuso
Professor e pesquisador da área de educação e livros didáticos. Formado em Física, mestre em Educação e doutor em Métodos Numéricos, participou de diversos cursos de extensão, incluindo o Designing a New Learning Environment da Universidade de Stanford. Já escreveu dezenas de livros didáticos e editou ou organizou mais de uma centena deles.

FONTE:www.ieasolucoes.com
Curta o Emprego-youcan no Facebook Facebook Emprego You Can