Renda sobe e desemprego recua na Grande Porto Alegre


Renda sobe e desemprego recua na Grande Porto Alegre

Se Porto Alegre fosse um país teria uma das menores taxas de desemprego do mundo. Um mercado com mais vagas com carteira de trabalho assinada e pequena quantidade de trabalhadores que vem de outros Estados disputar postos levaram a cidade a registrar desocupação de 2,6% em novembro, a menor desde o início da série histórica e entre as capitais pesquisadas.

A tendência de queda no número de desempregados na Capital aparece também na pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) – 6,2% no mês passado. A diferença nos resultados se dá por conta da metodologia usada pelas entidades. A renda dos trabalhadores também cresceu. O salário médio em Porto Alegre é de R$ 1.951,40, valor 8,9% maior em relação há um ano.

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Porém, a redução de desemprego aconteceu por conta da saída de trabalhadores do mercado, e não por criação de vagas. Em Porto Alegre, foram 50 mil pessoas nessa situação nos últimos 12 meses. Entre as explicações para o aumento do desinteresse pela busca de emprego estão possíveis ajustes já feitos para trabalhos temporários a partir de dezembro, ou a própria alta do rendimento, que proporciona a jovens, mulheres e idosos não precisar mais trabalhar para complementar a renda familiar, avaliou o IBGE.

– Há dúvidas até onde o índice pode cair, mas há sinais de que há espaço para patamares ainda mais baixos. O número de domésticos, por exemplo, nunca foi tão baixo, e isso mostra que o mercado está tão aquecido que as empregadas estão migrando para vagas mais atraentes. Apesar de pequena queda no setor de construção civil, o segmento vai bem – explica Ana Paula Sperotto, estatística do Dieese.

O pesquisador Giácomo Balbinotto Neto, professor de Economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), avalia que esse cenário tende a se manter no próximo ano com a conclusão de grandes obras viárias, mas ressalta que para manter o desemprego em níveis baixos será preciso atrair investimentos no futuro:

– É complicado ter uma taxa de ocupação apoiada na construção civil. É um setor sensível em que grande parte dos trabalhadores atua por empreitada. Se o mercado desaquece rapidamente, o emprego desaparece. É diferente da indústria, onde o empregado tem carteira assinada e o patrão pensa duas vezes antes de demitir.

Razões para o resultado

Por que a taxa de desemprego é mais baixa em Porto Alegre?
Um conjunto de fatores, entre os quais nível de escolaridade acima da média nacional e mercado de trabalho com mais vagas com carteira de trabalho assinada. O fato de Porto Alegre receber menos trabalhadores vindos de outras regiões do país, em comparação com outras metrópoles, como São Paulo, Salvador, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, também contribui.

A desistência de procurar vagas também pesa?
Sim. IBGE e Dieese usam metodologias diferentes para calcular o desemprego. Enquanto o IBGE conta pessoas que procuraram trabalho de maneira efetiva nos últimos 30 dias, o Dieese inclui quem realizou trabalhos ocasionais ou em ajuda a parentes e procurou vagas nos 30 dias anteriores. A existência do fenômeno conhecido como desalento (quem desistiu de procurar emprego devido a dificuldade ou demora de encontrar) é identificada pelo Dieese, mas esse contingente, segundo a pesquisa atual, está perto de zero.

O menor índice de natalidade das gaúchas influi?
Sim. Como os casais gaúchos são os que menos têm filhos no país, a população do Rio Grande do Sul cresce menos. Com a oferta de emprego estável e menos pessoas entrando no mercado de trabalho, a taxa de desemprego cai.

Ter desemprego baixo significa que toda a mão de obra disponível está qualificada?
Não. A oferta de emprego ocorre principalmente em setores que não exigem alta qualificação, como a construção civil. Como a demanda por trabalho está alta, as empresas contratam profissionais sem experiência e fazem treinamentos para prepará-los.

Como é possível ter taxas de desemprego tão baixas com crescimento tão pequeno?
Como é um cenário inédito no Brasil, especialistas encontram dificuldades para explicar o fenômeno. Uma das hipóteses está relacionada com o perfil etário da população, que está ficando mais velha. Assim, a oferta de trabalhadores cresce a taxas cada vez menores. Outra parte da explicação vem do aumento da demanda de mão de obra no setor de serviços, que tem crescido a taxas superiores à da indústria no país nos últimos anos.

Qual o perfil atual do desempregado?
A maioria na Região Metropolitana de Porto Alegre é formada por mulheres e jovens entre 16 e 24 anos.

No país, taxa com mínima histórica

A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife) voltou à mínima histórica um mês antes do fim de 2013, anunciou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Recuou de 5,2% em outubro para 4,6% em novembro, resultado só alcançado em dezembro de 2012, mês em que, tradicionalmente, se alcança o menor patamar do ano. Ao mesmo tempo, a renda média nos locais pesquisados subiu para o maior nível verificado desde o início da pesquisa, em março de 2002. Na passagem de outubro para novembro, a renda média saiu de R$ 1.927,48 para R$ 1.965,20, alta de 2%. De acordo com o economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani, a tendência deve reverter-se no início de 2014, e o retorno da população economicamente ativa a um padrão mais regular ocasionará um aumento gradual do desemprego em 2014. A empresa projeta taxa média de 5,4% em 2013 de 6% para o próximo ano.

FONTE:Zero Hora
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