ROBÓTICA MUDA VIDAS NAS ESCOLAS DO SESI-SP


ROBÓTICA MUDA VIDAS NAS ESCOLAS DO SESI-SP

Alunos que participam dos times da área na instituição contam como avançaram em conhecimento e superaram todas as expectativas de vitória

Ele só queria saber de jogar futebol. E inclusive estava participando de testes para tentar ingressar num time profissional. Tudo mudou quando começou a estudar na escola do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), em Ourinhos, no interior paulista. Ao descobrir a robótica, Luiz Felipe Carvalho descobriu também a sua verdadeira vocação.

“Foi a robótica que definiu a minha carreira”, conta ele, hoje estudante de Engenharia Elétrica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná. “Valeu a pena gastar cada minuto do meu tempo com isso, uso o que aprendi na faculdade”, diz. “Tive facilidade com algumas disciplinas por já ter um raciocínio lógico mais desenvolvido, que consegui com os treinos e competições das quais participei na época do Sesi”.

E isso não foi tudo: “Acho que me tornei uma pessoa melhor”, diz Carvalho. “Aprendi a trabalhar em equipe e a falar em público, habilidades que vou levar para a vida”.

Assim como Luiz Felipe, muitas outras crianças e jovens têm e para sempre terão as melhores lembranças em relação à robótica nas escolas do Sesi-SP. Para começar, todas as 172 unidades da rede oferecem a prática para os seus alunos, estimulados a ingressar nas equipes e a participar de competições dentro e fora do Brasil.

Prova desse empenho, sete equipes da instituição ocuparam os sete primeiros lugares no Torneio Nacional da área em 2016, sendo o primeiro lugar do time da unidade de Americana. “Desde o primeiro ano do fundamental os nossos alunos têm vivências de ciência e tecnologia”, explica o assessor da Superintendência do Sesi-SP Mario Eugênio Simões Onofre. “O objetivo é estimular o conhecimento, aprender formas diferentes de estudar matemática e física, por exemplo”.

De acordo com Onofre, entre o primeiro e o quinto ano do ensino fundamental os estudantes já começam a montar blocos e ter acesso a conceitos de mecânica como o uso de alavancas e engrenagens. Uma espécie de ensaio para o ingresso nos times de robótica por quem tiver interesse na área, a partir do sexto ano. “Nossos alunos sabem que podem ir longe caso se empenhem”, afirma.

E eles vão longe sim. Com direito a passaporte carimbado. Somente em 2016, 56 jovens já viajaram para dois campeonatos internacionais: o World Festival, em Saint Louis, nos Estados Unidos, e o Open European Championship, em Tenerife, na Espanha. No país de Barack Obama, a equipe da escola de Americana ficou em primeiro lugar na categoria Trabalho em Equipe, com o grupo de Jundiaí em terceiro em Programação do Robô. Já na Espanha o primeiro lugar geral foi para a unidade do Sesi-SP de Ourinhos, com a equipe de Boituva em primeiro no quesito “Gracious Professionalism” (ou profissionalismo gracioso em tradução livre).

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Sesi-SP, Paulo Skaf, o investimento nas viagens internacionais é prova do empenho da indústria paulista no que se refere à educação. “Sabemos que o momento do país não é fácil, isso atingiu fortemente a indústria de São Paulo. Mas, devido ao resultado extraordinário alcançado por vocês, as sete equipes que conquistaram uma vaga terão a oportunidade de disputar as competições no exterior”, disse Skaf em encontro com os participantes da robótica realizado em São Paulo, em abril.

Skaf e representantes do Sesi-SP durante encontro com os competidores da robótica: apoio da indústria. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Na ocasião, Skaf ressaltou o esforço da indústria de São Paulo para continuar investindo em educação e pediu aos alunos que se dediquem aos estudos e que assumam o compromisso de ser bons cidadãos. “Sabemos que uma nação forte se faz com bons brasileiros, e isso é o que esperamos de cada um de vocês”, disse o presidente aos estudantes.

Para ajudar a equipe

Vencedor na Espanha, Gabriel de Oliveira Rodriguez, do time de Boituva, tem uma razão ainda mais especial para ter orgulho de seu primeiro lugar. Aos 15 anos, ele descobriu um câncer de testículo. Como já era integrante do time de robótica de sua escola, não quis abandonar os treinos e os planos de participar das competições.

“Eu só queria me cuidar logo, estar bem para ajudar a minha equipe”, diz Rodriguez. “A robótica mudou a minha vida”.

Gabriel de Oliveira Rodriguez: “A robótica mudou a minha vida”. Foto: Arquivo Pessoal

 

Com planos de entrar na faculdade de Automação Industrial, ele já viajou para competir em Brasília, em Joanesburgo, na África do Sul, e em Tenerife, na Espanha. “Foram viagens das quais eu vou lembrar para sempre”, conta.

Testemunha desse entusiasmo, a mãe do adolescente, Paula Rodriguez, conta que o seu filho “não teve muito tempo de pensar na doença”. “Quando íamos fazer quimioterapia, em Sorocaba, ele já ficava ansioso querendo voltar para treinar”, lembra. “O foco dele estava na robótica, não no câncer. Sou muito grata ao Sesi-SP”.

Homenageados

Supervisor técnico educacional do Sesi-SP, Ivanei Nunes conta que a trajetória vitoriosa da instituição na área começou em 2007, com a primeira participação em um torneio estadual em 2009. “Em 2013 tivemos o nosso primeiro prêmio importante, com o time de Ourinhos em segundo lugar no World Festival, nos Estados Unidos”, lembra.

Após as disputas, segundo Nunes, todos os estudantes são recebidos e homenageados na sede do Sesi-SP e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “A robótica é uma atividade enraizada na rede”, diz. “A vontade de participar e vencer atinge a todos”.

FONTE:Fiesp
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